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Técnica
Algumas Espécies de Orquídeas da Flora Brasileira
Apresentamos a seguir 2 espécies da flora brasileira, descritas na revista Orquideophilo, Vol. 6, no 2, Setembro de 1998.
1) Maxillaria silvana
Campacci
Typus: Brasil, Bahia, município de Una.
Holotypus: SP.
Coletor: Edmundo F. Silva, em maio de 1992,
s/n. Floresceu em cultivo em junho de 1994.
Planta epífita, cespitosa, pseudobulbos
esféricos, achatados lateralmente, com 1,0 cm de diâmetro,
dotados de 2 folhas basais caducas que cobrem quase totalmente os pequenos
pseudobulbos, guarnecidas de bainhas membranáceas e com uma só
folha apical. Todas as folhas são subcoriáceas, oblongo-lanceoladas,
de 15,0 cm de comprimento por 1,0 cm de largura. Hastes florais unifloras
com 9,0 a 10,0 cm de comprimento, levemente arqueadas, totalmente recobertas
de bainhas imbricadas. Flores de 2,5 cm de envergadura e que não
se abrem por completo. As sépalas e as pétalas têm
fundo branco translúcido passando para cor de vinho na base e bordas,
sendo ainda adornadas com veias atropurpúreas. O labelo é
cor de vinho com extremidade creme, calo amarelo, e também dotado
de veias atropurpúreas. Sua sépala dorsal é lanceolada,
com 17,0 mm de comprimento por 5,0 mm de largura; as sépalas laterais
cuneiformes com 25,0 mm de comprimento por 5,0 mm de largura; as pétalas
são cuneiformes e têm 17,0 mm de comprimento por 3,5 mm de
largura. O labelo é levemente trilobado, no geral de forma elíptica,
com 17,0 mm de comprimento por 7,0 mm de largura, provido de pilosidade
numa linha longitudinal no centro desde a base até 2/3 do seu comprimento,
onde se situa o calo arredondado e piloso, e o pequeno lobo central tem
como característica principal o fato de ser engrossado e arredondado.
A coluna é semicilíndrica e quase metade do seu comprimento
constitui-se num prolongamento em forma de pé onde se inserem as
sépalas laterais e o labelo móvel. A antera é branca
e possui 3,0 mm de comprimento. O polinário é constituído
de 4 massulas amarelas justapostas aos pares, com caudículo membranáceo
característico do gênero.
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Hábitat da
Maxillaria
silvana Campacci
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Maxillaria silvana Campacci |
Discussão: Esta espécie
não tem similar no Brasil, agrupando-se à Maxillaria lindleyana
Schltr. e Maxillaria bolivarensis C. Schweinf.
Floração: Durante o outono
e parte do inverno no Brasil.
Hábitat: Florestas tropicais ou
subtropicais no sul da Bahia, próximo ao litoral.
Etimologia: Nome dedicado ao Sr. Edmundo
F. Silva de Rio do Meio, na Bahia, o qual descobriu essa espécie.
Discussion: This species don’t have similar
in Brasil, clustering now with the Maxillaria lindleyana Schltr.
and Maxillaria bolivarensis C. Schweinf.
Flowering: Brazilian fall and winter.
Habitat: Rain forests in the south of
Bahia State, near the littoral.
Etimology: Dedicated to Mr. Edmundo F.
Silva from Rio do Meio, Bahia, who discovered this species.
Essa planta é encontrada em plena Mata Atlântica do sul da Bahia, num ambiente saturado de umidade atmosférica. É uma espécie de cultivo relativamente dificil, muito exigente quanto às condições climáticas. No local onde ela vive a temperatura é relativamente alta durante quase todo o ano, mas sempre com ambiente muito úmido .
2) Oncidium pabstii Campacci & Espejo
Tipo: Brasil - Rio de Janeiro, Casimiro de Abreu (Holotypus SP). Coletor: Carlos Regent, em setembro de 1990, s/n. Floresceu em cultivo em janeiro de 1991 e anos seguintes.
Planta epífita, caespitosa; pseudobulbos cilíndricos afunilados no vértice, lisos, de 6,0 a 9,0 cm de comprimento por 1,5 a 2,0 cm de diâmetro, unifoliados (raramente bifoliados). Folha lisa, subcoriácea, elíptica, aguçada, de 12,0 a 17,0 cm de comprimento por 2,5 a 3,0 cm de largura. Inflorescência basal, arqueada, paniculada, com mais de 25,0 cm de comprimento, escapo fino, de 1,0 a 1,5 mm de espessura, brácteas inconspícuas. Flores de coloração acobreada com lobos laterais do labelo, base e extremidade das sépalas, base das pétalas e calosidade amarelos. Sépala dorsal de 9,0 mm de comprimento por 6,0 mm de largura, oblongo-lanceolada, com ápice côncavo; sépalas laterais concrescidas em forma de sinsépala, com 9,0 mm de comprimento por 7,0 mm de largura, elíptica, retusa; pétalas de 11,0 mm de comprimento por 4,0 mm de largura, elípticas, aguçadas; labelo trilobado, de 9,0 mm de comprimento por 8,0 mm de largura, com lobo mediano levemente cordiforme, de 3,0 mm de comprimento por 5,0 mm de largura, e lobos laterais voltados para a base. Calosidade complexa: na base bastante ondulada, no centro com 2 pequenos cornos seguidos de lâminas semelhantes a escamas e por fim um tufo verrucoso na base do lobo central. Coluna branca com 5,0 mm de comprimento por 2,0 mm de diâmetro, bialada e com poucos pêlos junto ao estigma. Antera amarelada com 2,0 mm de comprimento, externamente pilosa e políneas amarelas.
Epiphyte, caespitose herb with cylindric pseudobulbs
6,0-9,0 cm x 1,5-2,0 cm. It haves one smooth, subcoriaceous sharpened-elliptic
leave (unusualy 2) with 12,0-17,0 cm x 2,5-3,0 cm. Inflorescence at the
base of the pseudobulbs with more than 25,0 cm lenght and 1,5-2,0 mm thickness.
Small flowers coppery-brown with the lateral lobes of the lip, the base
and the end of the sepals, the base of the petals and the callus yellow.
Dorsal sepal 9,0 x 6,0 mm, lateral sepals connate 9,0 x 7,0 mm, petals
11,0 x 4,0 mm and a 3-lobed lip 9,0 x 8,0 mm. Intricate callus: undulating
base, 2 small horns in the middle following several scaled shapes and at
last a warty flock in the midlobe base. White column, 5,0 x 2,0 mm, 2-winged,
with little hairy stigma. Pale yellow anther, hairy, 2,0 mm with yellow
pollineas.
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Hábitat do
O.
pabstii Campacci & Espejo
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Oncidium pabstii Campacci & Espejo |
Distribuição: Rio de Janeiro
e Espírito Santo.
Floração: Durante o verão
brasileiro e também parte do outono.
Hábitat: Matas úmidas junto
às montanhas até 300 m de altitude.
Etimologia: Espécie dedicada ao
grande pesquisador botânico brasileiro Guido F. J. Pabst, um dos
autores da obra Orchidaceae Brasilienses.
Distribution: Rio de Janeiro and Espírito
Santo.
Flowering: Brazilian summer and fall.
Habitat: Wet forests as far as 300 m
altitude. Epiphyte.
Etimology: Dedicated to Guido F. J. Pabst,
the great searcher of the Brazilian’s orchids.
Pleurothallis
O gênero Pleurothallis é
muito bem representado no Brasil, atingindo mais de 300 espécies,
o que equivale a mais de 10% de todas as nossas orquídeas. São
em sua maior parte plantas de porte pequeno, conhecidas pelo nome popular
de “micro-orquídeas”.
Até há algum tempo atrás
não despertavam muito interesse entre os orquidófilos e,
quando levadas a exposições, eram tratadas como simples “matinhos”,
não entrando siquer em julgamento. Felizmente esse conceito mudou
e agora existem até mesmo orquidófilos que se dedicam exclusivamente
ao cultivo dessas plantas, que finalmente alcançaram seu verdadeiro
lugar na orquidofilia.
O gênero Pleurothallis apresenta enorme
diversidade, com flores sempre muito pequenas, mas que, quando bem examinadas,
deixam evidentes a sua beleza e atração.
O nome Pleurothallis vem da junção
das palavras gregas “pleura” que tem o sentido de fino, mais “thallos”
que significa talo ou caule. A junção dessas duas palavras
assume o significado de “caules finos”, uma característica de quase
todas as espécies desse gênero. Pertencem à subfamília
Epidendroideae, tribus Epidendreae, subtribus Pleurothallidinae.
A seguir uma espécie da nossa Mata Atlântica:
Pleurothallis hypnicola Lindl.
Essa espécie foi descrita por John Lindley em 1842 e publicada no Botanical Register 28, Misc. 75. Ocorre, como já foi dito anteriormente, na nossa Mata Atlântica, desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, sendo inclusive nativa na cidade de São Paulo. Talvez com alguma sorte ainda a encontremos nos resquícios de matas da nossa cidade.

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