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Pragas e
Doenças
De cada uma destas ordens daremos alguns caracteres que permitam identificar as pragas pertencentes ao seu grupo, bem como as espécies mais comuns encontradas no cultivo das orquídeas.
1 - Ordem Thysanóptera
Esta ordem compreende os insetos conhecidos
pelo nome genérico de "trips". São de pequeno porte,
com o corpo estreito e dotado de dois pares de asas de tipo peculiar (franjadas),
que, estando o inseto em repouso, se dispõem longitudinalmente na
linha mediana do corpo. As formas jovens são geralmente amareladas,
e os adultos escuros ou mesmo pretos. Os machos são de menor tamanho
do que as fêmeas. O desenvolvimento se processa por paurometabolia,
isto é, não há metamorfoses completas. As formas de
insetos jovens são semelhantes aos adultos, embora não tenham
ainda asas. São fitófagos, possuem aparelho bucal do tipo
picador-sugador, peculiar a esta ordem (raspador).
Há nas lavouras de cacau, da cebola,
do algodão, bem como no cultivo de plantas ornamentais, a incidência
desses "trips". A famosa "lacerdinha" é encontrada geralmente entre
os hibiscos. Duas espécies são assinaladas entre as orquídeas:
o Taeniothrips xanthius Williams e o Anaphothrips orchidearum Bondar, em
Minas Gerais e Bahia. É preciso bastante atenção nas
plantas originárias desses Estados, os quais atacam as Laelias e
Cattleyas, produzindo lesões simétricas nas folhas, por se
introduzirem entre elas quando ainda estão novas, fechadas. Esta
característica é bastante observada nas plantas atacadas
pelo Heliothrips haemorrhoidalis Bouché, cujo desenho anexamos.
Deve ser usado um dos inseticidas encontrados
no mercado que seja de baixa toxicidade, de preferência sistêmico,
isto é, de ação prolongada.
Poderá ser utilizado ainda um dos antigos
defensivos agrícolas caseiros, cuja fórmula é a seguinte:
Calda sulfo-cálcica a 32 graus B. ...............
150 g
Água .....................................................
10 litros
Sulfato de nicotina a 40 % .......................
10 cc
2 - Ordem Hemíptera
É o grupo dos chamados percevejos das
orquídeas, vulgarmente conhecidos por "baratinha vermelha das orquídeas".
Estes insetos estão entre os que mais têm provocado estragos
entre as orquídeas, notadamente pelo Tenthecoris bicolor Scott,
igualmente descrito por Reuter como sendo Eccritotarsus orchidearum. Causam
a stigmonose, que tanto deprecia as plantas por eles atacadas.
Estão entre os insetos desta ordem os
famosos e perigosos "barbeiros", causadores do "Mal de Chagas" e os percevejos
comuns encontrados em lugares sem a devida higiene.
A saliva do Tenthecoris hidrolisa os hidratos
de carbono, sendo até mesmo capaz de dissolver a celulose das folhas.
Provocam igualmente condições para transmitir doenças
viróticas às plantas. Possuem aparelho bucal do tipo picador-sugador.
Entre as orquídeas são também encontrados o Neofurius
carvalhoi Costa Lima e o Neoneelia zikani Costa Lima, ambos com os mesmos
hábitos do Tenthecoris bicolor Scott.
O desenvolvimento desses insetos assemelha-se
muito entre as várias espécies. Quando larva, parecem-se
com uma pequena formiguinha com 1,5 mm de comprimento, de cabeça
globosa e avermelhada e com olhos escuros, o abdômem é maior
que a cabeça, São avermelhados, com exclusão do mesotorax
e das patas que são brancas.
As antenas possuem quatro segmentos, sendo o
último deles um tanto maior. Passando pelo estado ninfóide,
chegam ao estado adulto, apresentando a forma normal.
Os mesmas produtos e recomendações
inerentes à ordem anterior (Thysanóptera), poderão
ser igualmente aplicados.
Plantas ainda não instaladas (coletadas),
deverão ser imersas em 20 litros d'água, com uns 20 cc de
um bom inseticida sistêmico, facilmente encontrado no mercado, ou
ainda em:
Água ........................................
20 litros
Sulfato de nicotina a 40% ........... 25 cc
Sabão comum ............................
400 g
3 - Ordem Homóptera
Esta ordem engloba espécies muito divergentes
quanto ao porte e aspecto, pois nela estão inclusas as cigarras,
os pulgões e as cochonilhas. Apresentam dois pares de asas semelhantes,
membranosas, que em repouso não se cruzam. Desenvolvem-se por paurometabolia,
sendo comum a partenogênese. Sugam tanto a parte aérea das
plantas quanto suas raízes. É relativamente comum o dimorfismo
sexual, como se verifica facilmente entre as cochonilhas, em que o machos
possuem uma evolução normal e as fêmeas não.
Embora de vida efêmera, os machos são alados, locomovendo-se
totalmente, enquanto as fêmeas (todas elas) têm vida fixa.
Entre as principais cochonilhas que infestam os ripados e culturas de orquídeas,
citamos as seguintes:
-
Diaspis boisduvalii Signoret
Entre as orquídeas, esta é a que
marca mais sua presença nos ripados, formando colônias de
aspecto lanoso, ou massas brancas, nas quais machos e fêmeas encontram-se
protegidos por secreções cerosas, formando fios. Os meios
de combate consistem na aplicação de inseticida liquido,
após a remoção das cochonilhas, por meio de um pincel
mais ou menos resistente Para tal fim recomenda-se o uso de uma solução
de água e sabão de coco. Deve-se
usar um inseticida sistêmico, preferência recomendada para
as plantas em brotação.
- Parlatoria proteus Curtis
-
Chrysomphalus ficus Ashmead
Esta cochonilha tem a aparência de cabeça
de prego. Ocorre entre os Dendróbiuns, Coelogynes, Vandas, Cymbidiuns
e outras orquídeas de folhas finas e de pouca substancia. São
dotadas de forte carapaça e muito resistentes aos inseticidas. O
uso de inseticidas sistêmicos é o sistema mais recomendado,
além da remoção cautelosa, para não ferir as
folhas.
- Asterolecanium epidendri Bouche
- Furcaspis biformis Cockerell
Raramente tem sido notada esta cochonilha entre
as orquídeas pelo menos nos últimos
tempos. Já foi entretanto praga comum nos orquidários, notadamente
nos que portavam orquídeas oriundas
das matas, e que não tivessem sido limpas e pulverizadas
com fungicidas e passadas pela ação de um bom inseticida.
O expurgo gasoso fumigatório é
o mais recomendado no seu combate. Não havendo essa
possibilidade, recomenda-se uma cuidadosa limpeza de cada planta.
- Conchaspis bahiensis Lepage
Esta cochonilha descrita por H. S. Lepage, foi
constatada entra as partidas de Encyclia
oncidioides trazidas da Bahia. A simples limpeza com água e sabão
de coco e posterior aplicação
de um inseticida, foi o bastante para eliminar tal cochonilha. Hojea mesma
é raramente constatada nos ripados.
- Icerya brasiliensis Hempel
Apresentando forma avantajada com relação
às demais cochonilhas, as Icerya são facilmente
identificáveis. Tão comuns no passado, a ocorrência
delas praticamente inexiste. Concorreu
muito para tal, o uso de inseticidas sistêmicos, além de melhorprofilaxia.
As Icerya são de coloração esbranquiçada, apresentando
dois ápices, um em cada extremidade,
sendo um deles a cauda. Lembra-nos quase o aspecto de um camundongo,
quando vistas sob uma lupa. As fêmeas desta cochonilha, ao contráriodas
de outras que possuem vida fixa, costumam movimentar-se de um lugar paraoutro
com certa regularidade. Os meios de combate são semelhantes aos
anteriores.
- Niveaspis cattleyae Lepage
Descrita por Lepage, esta cochonilha é
de pouca freqüência nos nossos ripados. Estáquase que
erradicada. Uma boa limpeza com escovinha, água e sabão é
necessária no seu combate. Depois,
aplicar a solução de sulfato de nicotina a 40% já
descrita anteriormente.
-
Coccus pseudohesperidium
Green
As fêmeas desta cochonilha estão
entre as maiores das que conhecemos presentes
nas plantas dos nossos ripados. É comum
vê-las rodeadas pelas formigas. Os meios
de combate são os mesmos já citados
para as outras cochonilhas. Hoje esta praga está praticamente erradicada,
sendo portanto bastante rara.
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Entre os pulgões que atacam as orquídeas,
os mais comuns têm sido os seguintes:
- Macrosiphum luteum Buckt.
- Aphis sp.
Este afideo é conhecido por "pulgão preto".
Os malefícios são os mesmos do seu predecessor, bem como iguais
são os meios de eliminá-los.
- Cerataphis lataniae Boisd.
Entretanto, possuindo também forma alada, locomove-se com bastante freqüência. É praga comum nos Estado de São Paulo e outros vizinhos. A aplicação de inseticidas deve ser feita sempre com maior freqüência, pois temos notado uma maior incidência e também o retorno da praga. Os inseticidas sistêmicos são os mais adequados.
| Produtos
químicos:
Não recomendamos marcas específicas de produtos. Existem vários deles nas boas casas do ramo, sendo que seu uso deve ser sempre seguido à risca, conforme as recomendações dos fabricantes. |
(texto e desenhos: Augusto F. Neves)